Epígrafe

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Artigo




Os mitos e a história se repetem


João Perles

No dia 11 de agosto a cidade de Pereira Barreto vai comemorar 83 anos de existência. Entre apelos e discursos emocionados a população vai assistir, de novo, a repetição das antigas histórias locais e seus mitos desenvolvimentistas, mas a cidade merece muito mais que palavrórios vomitados pela classe política e pelos grupelhos que ficam a sua volta.
A história da cidade não é feia. Seu surgimento está ligado a ações coletivas quase heróicas, depois, uma série de elementos foi se combinando para constituir o “baobá” genealógico que lhe castrou as possibilidades de evoluir socioeconomicamente.
Já ouvi muita gente dizendo que a cidade “carrega uma sina de atraso”, ou que se localiza “numa curva de rio” onde todas as tranqueiras que descem carregadas pelas águas param e criam raízes. Tanto a sina de atraso quanto a dita curva do rio, faladas pelos moradores no dia a dia, embora sejam frases debochadas, exteriorizam um estado de espírito que mora no inconsciente da população.
Desde que nasceu, há cerca de dois anos e meio, este site vem procurando inserir no discurso local a prática da reflexão em que, na maioria das vezes, os elementos históricos são mencionados e deles se tenta fazer uma releitura socioeconômica. Trata-se, evidentemente, de reflexões que contrariam o pensamento e o senso comum alimentados insistentemente pela classe política. Entre tantos textos, já afirmamos aqui neste blog, para contrariedade de muitos, que a cidade turística de Pereira Barreto é um mito, uma quimera, uma extravagância muito bem germinada décadas atrás e que criou raízes entre pessoas das diversas classes sociais. Quem quiser reler os detalhes de como isso foi urdido, basta clicar no ícone “A história recontada”, localizada a direita desta página.
Não tenho todos os dados necessários nas mãos, mas com base nos precários relatórios fiscais públicos pela prefeitura, trabalho com a hipótese de que para cada R$ 1 milhão gastos pela municipalidade para alimentar o mito turístico apenas R$ 200 mil convertem-se em benefício ao erário, ou seja, o cofre público come igual a uma formiga, mas caga igual a um elefante. Eis a lógica perversa que muitos se negam a enxergar.
Um dia precisaremos parar e rever todos os mitos e, se tivermos coragem, iniciarmos uma novo relato da história local, desta vez, sem as narrativas mitológicas, porque a cidade e sua população merecem viver sob prisma da verdade.

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