Epígrafe

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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Artigo

Truculência e escárnio


João Perles

A natureza forja homens e o tempo, a vida e a cultura forjam o caráter. O caráter determina como um indivíduo age diante do convívio social, nas circunstâncias mais adversas.
Quer testar o caráter de um homem? Então, dê-lhe poder real ou simulacro de poder. Desta concessão surgirá um estadista ou um fascistóide.
O estadista não teme o debate público, não se esconde nos esgotos da política e não vocifera covardemente. Já o fascistóide aposta na força e na ilegitimidade para avançar contra a razão e o direito do outro. A força e o poder que ele pensa ter, emana de sua maltrapilha formação intelectual, do conhecimento-lixo que ele armazena num cérebro desvirtuado. E, aqui, cabe com pertinência, o dito de Dante Veoléci para quem “A maior preocupação dos imbecis elevados à categoria de chefe é ostentar autoridade.”
Pois bem, caro leitor. Vamos aos fatos e amarre os conceitos acima de acordo com sua consciência.
A tribuna da câmara municipal que muitos vereadores utilizam como púlpito para vomitar despautérios e sujar com uma enxurrada de palavrórios é a mesma que o presidente da casa, Laerte Venâncio Alves (PR), utiliza como instrumento para cercear a liberdade de expressão do cidadão comum.
O uso da tribuna livre está previsto no regimento interno da câmara de vereadores e qualquer cidadão pode fazer utilizá-la para se manifestar sobre questões relacionadas ao município. Mas na última segunda-feira, dia 23 de agosto, depois de quase um mês de espera, o funcionário público municipal Élvis Roberto da Silva foi informado pelo presidente da câmara que ele não vai usar a tribuna e pronto.
Negar o uso da tribuna é ditatorial porque atenta contra a liberdade de expressão; é antidemocrático porque fere o direito do cidadão de participar ativamente dos destinos da cidade; é antirrepublicano porque se apropria de um instrumento público que, em princípio, pertence ao povo; e é calhorda porque traz em sua essência sordidez mesquinha e gratuita.
São atitudes desta natureza que vão aos poucos deixando no indivíduo a impressão de que a classe política local quer transformar o cidadão em desgraçado só por ser pereira-barretense. Eis uma sina que ninguém merece e contra a qual devemos lutar incansalvemente.

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