Epígrafe

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Artigo






João Perles

Os cofres públicos de Pereira Barreto estão nadando em dinheiro. Com a economia nacional aquecida, o município nunca teve seus cofres tão abarrotados de recursos.
A arrecadação é tão promissora que somente nas chamadas receitas correntes o erário deve fechar o ano com R$ 1,5 milhão a mais do que a previsão orçamentária. Estimada em R$ 64,6 milhões, deve atingir R$ 66 milhões, 2,16% a mais e cerca de 20% superior a de 2010.
Os repasses do governo federal também têm sido generosos com Pereira Barreto. Até agosto, os ministérios haviam recheado o cofre da prefeitura com nada menos que R$ 5,28 milhões.
Mais de 80% das obras públicas de Pereira Barreto são tocadas totalmente ou parcialmente a custa de recursos financeiros provenientes dos governos estadual e federal.
Mas tanto dinheiro também produz efeitos deletérios. A margem maior para barganha política elevou a possibilidade de nomeações. Hoje, cerca de 20% dos funcionários públicos são secretários, chefes de sessões e departamentos, supervisores, estagiários e mirins, sendo que os salários dos agentes políticos, incluindo vereadores, têm sido reajustados em níveis bem acima da realidade socioeconômica do município.
A repartição desigual e oportunista do bolo financeiro traz sérios riscos para o tesouro local. No ano passado, a prefeitura, com o beneplácito da câmara de vereadores, aprovou um plano de carreira somente aos membros do magistério. Acertaram na fórmula, mas erraram na medida. No mês de março deste ano publiquei um artigo neste blog denunciando erros estatísticos e comprometedores. Em “A gestão das hienas”, demonstrei que em apenas oito anos, na melhor das hipóteses, a folha do magistério saltaria 46,5%, inviabilizando as futuras reposições salariais dos servidores.
Para piorar, nos meses que se seguiram a câmara municipal, conluiada com o Poder Executivo, reajustou os salários dos agentes políticos em até 55%, comprometendo ainda mais a folha de pagamento. O resultado desta imbecilidade maldosa é que, em apenas três meses, a folha de pagamento saltou de 42,5%, para 45,86%, sendo que nem mesmo a tendência crescente de receita foi capaz de contornar as despesas contraídas por meio das negociatas políticas. Sim, a estatística publicada neste site estava correta, mas a malandragem, o desavergonhamento, a maltrapilha formação de caráter da classe política que hoje atua no Legislativo e no Executivo fechou os olhos para os números, no afã de que tais casuísmos possam lhes garantir a reeleição.
Além disso, o mar de jargões utilizados na propaganda política — paga a preço de ouro — esconde situações rasteiras em termos de gestão pública que vem sendo conduzida por pesados gastos em consultorias. A administração não fornece dados, mas fontes informais — ainda bem que elas existem — dão conta de que, incluindo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, cinco consultorias atuam ou já atuaram junto ao governo municipal.
Chega a ser vergonhoso mencionar, mas embora um microônibus custe cerca de R$ 130 mil, os estudantes universitários continuam custeando as viagens do próprio bolso, exceto por 10% de uma tal ajuda de custo paga pela prefeitura. Situação bem diferente de muitas prefeituras da região que têm fornecido transporte gratuito aos universitários.
É uma pena que a fortuna que entra mensalmente nos cofres públicos parece servir apenas para piorar o caráter da classe política local. É lamentável que os números apontem caminhos, mas a comunidade se mantenha tão mansa.




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